Whatsapp vitalício: Seria esmola demais para o santo?

Essa semana, o aplicativo Whatsapp resolveu derrubar a cobrança para usuários mas… O que será que isso pode significar para os usuários?

Se você é usuário do Whatsapp, já deve ter recebido a notificação que utilizamos como imagem em destaque desse post avisando de que a licença agora é vitalícia. Sim, você leu bem! Vitalícia.

Esse fatp significa o abandono do padrão anterior na qual o aplicativo poderia, a cada um ano, exigir o pagamento de uma pequena colaboração para que se pudesse continuar utilizando ele normalmente. No entanto, não seria esmola demais para um pobre santo franciscano?

Whatsapp e a taxa anual

Bom, pra explicar meu ponto de vista sobre essa alteração, é necessário abordar primeiro aquela que hoje reside no sarcófago: a anuidade de US$ 0,99.

Quando o Whatsapp foi criado, a ideia era trazer um aplicativo que fosse basicamente empolgante. Em 18 de junho 2012, o texto “Por que não vendemos anúncios” trás um conceito bem interessante: Porque entupir o aplicativo de anúncios? Uma plataforma que empolgue pode se autofinanciar sem a necessidade disso, sendo assim proveitoso para o usuário, que não será agredido com anúncios invasivos e até por vezes, fora de contexto, consumindo dados e acima de tudo, sua paciência.

Com isso, o aplicativo se tornou uma rede social sem anúncios, sendo sustentada apenas pelos usuários que pagavam pelas suas licenças de uso.

Anuidade de US$ 0,99: Nunca vi, nem paguei, eu só ouço falar

Quem nunca ficou na expectativa da virada do período, na esperança de que a licença se renovasse gratuitamente, que atire a primeira pedra! Querendo ou não, pagar, por mais que seja um valor infinitamente pequeno (convenhamos, isso dava uns US$ 0,08/mês. Se bobear, não compra nem três balinhas no sinal), ganhar mais um ano na faixa era um ótimo negócio afinal, o aplicativo atende de maneira geral sua principal função: ser um meio de comunicação prático (apesar de existirem outros milhões de vezes melhor e que muitos desconhecem, como o Telegram).

Fato é que poucos são os usuários que receberam a notícia da não renovação gratuita. Pra ser bem sincero, eu nunca vi e olha que ja rodei muita comunidade do Facebook e do Google+!

Facebook – Abra uma conta: É gratuito e sempre será

Perai! Se o post é sobre o Whatsapp, porque o Facebook está sendo citado aqui?

Bom, antes de tudo, não nos esqueçamos que o Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, comprou o Whatsapp a praticamente 2 anos atrás pela bagatela de US$ 16 bilhões. Essa, no entanto, não é a unica semelhança guardada entre comprador e adquirida.

Uma das frases mais destacadas do Facebook é justamente a citada acima: “Abra uma conta: É gratuito e sempre será”. Sim, podemos dizer que o Whatsapp está seguindo pelo mesmo caminho de quem o comprou: ser uma ferramenta livre para se usar, sem restrições financeiras.

Enquanto um vendia serviços, o outro vendia anúncios

Curiosamente, no mesmo ano que o Whatsapp lançou em seu blog o texto “Por que não vendemos anúncios”, o Facebook passou a colocar anúncios na timeline de seus usuários, inicialmente em posts com fotos e devidamente identificados. Sim, originalmente, o Facebook era ad-free, ou seja, sem anúncios pulando a cada momento. A promessa era de que seria vinculado apenas um por dia, com o rotulo de “Patrocinado”. Obviamente, o apetite por lucro (e a necessidade dele para sustentar sua estrutura exponencialmente crescente) se sobrepôs a essa proposta inicial e hoje o que não falta à rede social é poluição comercial.

O fenômeno dos aplicativos freemium

Grandes produtoras perceberam com o tempo que a venda de licenças havia se tornado um grande fracasso financeiramente falando. A pirataria e as dificuldades para a aquisição deles (como necessidade de cartão internacional e etc) fizeram com que surgisse o fenômeno do freemium. Aplicativos e jogos que não custam nada ao usuário, desde que ele não se importe com anúncios explodindo as vezes (praticamente sempre).

Sim, o dinheiro para o pagamento da estrutura e desenvolvimento tinha que sair de algum lugar e já que as vendas não colaboravam, recorrer aos anúncios integrados era uma saída coerente e pratica. Todo mundo sairia ganhando (mentira, o usuário sempre se dá mal, sendo obrigado a aturar por vezes, anúncios completamente fora de contexto).

Whatsapp freemium: Sim, claro ou com certeza?

Ao meu ver, a unica forma da conta fechar. O Whatsapp cu$$$$ta para o seu dono e obviamente, o fim da anuidade muito provavelmente significará a perda de privacidade (afinal, a quantidade de dados trocados diariamente são, inegavelmente um ativo importantíssimo para empresas que visam atender públicos específicos) e a implementação de formas de anúncio, assim como ocorreu com o Twitter, Google (e todos seus serviços envolvidos), Microsoft, Facebook e outros milhares de produtores de conteúdo.

Não dá pra saber se isso irá acontecer (seria capaz de apostar que sim), como (se por banners, vídeos ou conversas que surgirão magicamente oferecendo produtos/serviços) ou quando. O fato é que a tendência é que o sustento saia de algum lugar e se não vem de uma forma, vem de outra.