[Review] Moto X Force

Um smartphone com uma tela que não quebra. Essa é a proposta da Motorola com o Moto X Force. Será que deu certo? Confira agora em nossa review!

A cada geração os smartphones ficam mais finos, leves e com telas maiores. Tudo isso acaba aumentando a chance de quebrarmos nosso aparelho com algumas quedas. Esse fator de resistência não é tão comentado, apenas quando falamos de proteções contra água, poeira, riscos, mas e contra queda? Até então, nunca chegou nada no mercado.

Pensando nisso, a Motorola decidiu ver as coisas por outro lado e trazer uma proposta inusitada: Um smartphone com uma tela “inquebrável”, o Moto X Force.

Será que ele realmente tem uma tela resistente? E em relação aos demais quesitos, ele cumpre o que promete? É isso que veremos nessa análise.

Personalização

A Motorola trouxe o Moto Maker para o X Force, que mesmo não sendo tão tendo tantas opções de personalização como tem para o X Play, consegue entregar um bom número de opções:

  • Traseira: Couro, Nylon Balístico e três opções emborrachadas (Preto, Tabaco e Cabernet);
  • Detalhes: Verde, azul, prata, cinza escuro, champagne, preto e laranja.

Além disso, podemos colocar uma gravação na traseira e uma saudação na tela de início.

Por aqui, a versão cedida pela Motorola para teste foi a com detalhes em preto e com a traseira em Nylon Balístico.

Design

Ao pensarmos em um aparelho chamado “Force”, qual sensação que você imagina que irá ter ao segurá-lo? Com certeza, de segurança e firmeza. Bom, sinceramente, quando segurei o Moto X Force tive a impressão de que ele podia deslizar facilmente das mãos.

A traseira do modelo que recebemos foi com Nylon Balístico, um material bonito, que visualmente passa a sensação de segurança, mas ao encostar percebemos que o material é bem liso. Para ajudar, as laterais são de alumínio, um material extremamente elegante, sofisticado, mas também, liso.

Outro fato da lateral de alumínio é que qualquer queda ou batida deixará suas marcas. Já a traseira parece não ter esse problema, afinal, como o próprio nome diz, até “balística” ela é.

A parte de trás também traz as bordas um pouco arredondadas, não tanto como os outros aparelhos da marca, mas que ajuda na “pegada”.

A parte da frente tem o autofalante na parte debaixo (tem duas saídas, mas só a da direita que emite áudio), enquanto que na parte superior temos o flash do lado esquerdo e a câmera frontal à direita, com um autofalante para ligações no centro.

Na parte debaixo temos a conexão Micro USB, enquanto que na parte de cima do aparelho temos a saída para fone de ouvido e a gaveta para chips. Gaveta essa que funciona de uma maneira um pouco inusitada. Nela, você pode por dois chips Nano SIM, ou um Nano e um Micro SD.

Na lateral direita, temos os botões power e volume. Vale dizer de que recebemos o aparelho da Motorola com o botão power afundado, enquanto que outros sites que receberam o aparelho para testes tiveram problemas parecidos com o botão de volume. Logicamente, temos de ter consciência de que estamos falando de aparelhos “judiados” por serem usados para testes, mas parece que esse problema realmente pode aparecer nas mãos dos usuários finais.

Como conclusão do design, vemos um aparelho muito bonito e elegante, que passa a sensação visual de robustez, mas peca ao ser liso e gerar marcas nas laterais.

Uma solução talvez seria trazer uma lateral de borracha ou de um material que não marcasse tanto como o alumínio, mas sabemos como funciona, trazer um dispositivo premium sem alumínio seria negativo para os mais vaidosos e exigentes.

Dimensões e peso

O Moto X Force vem com 149.8 mm de altura, 78 mm de largura e apenas 7.6 mm de espessura. Não chega a ser um dos mais finos do mercado, mas conseguiu compactar ao máximo trazendo algo bacana para nós.

Já  na balança, o X Force marca 169 gramas. Um pouco pesado, mas nada que chame a atenção de um usuário exigente, até porque, temos como proposta aqui um aparelho com certa resistência, e estava na cara que o peso não seria uma preocupação tão grande por parte da Motorola.

Tela

Trazendo uma tela de 5.4 polegadas, com resolução de 1440 x 2560 pixels (541 ppi), na tecnologia AMOLED, o Moto X Force consegue entregar uma imagem espetacular.

Damos aqui atenção e mérito pelos tons de preto perfeitos, porém, os mais exigentes irão perceber que a tela traz um tom azulado ao reproduzir cores claras. A Motorola também conseguiu trazer cores vibrantes sem satura-las, o que é um grande avanço.

Agora chega de blá blá blá, afinal, todos sabemos que uma tela AMOLED 2k é excelente. O que todos queremos saber mesmo é sobre a tão falada resistência da tela do Moto X Force, então vamos lá:

A tela “inquebrável” Gorilla Glass 4 do Moto X Force é feita usando a tecnologia ShatterShield, que tem cinco camadas:

  • Semelhante a uma película de acrílico, se trata de uma camada para proteger dos riscos e danos;
  • Um vidro flexível que fortalece ajuda a absorver o impacto e protegendo as camadas de baixo que já envolvem o display;
  • Aqui já chegamos nos sensores de toque, no caso, a primeira. Isso porque a Motorola decidiu usar duas camadas visando o toque, para garantir que, em caso de uma delas ser danificada, a outra continue funcionando;
  • Chegamos no display AMOLED, que também é mais flexível que o normal para garantir mais segurança;
  • Na última camada temos uma placa de alumínio como uma “base” para as demais camadas.

Infelizmente não tivemos a autorização da Motorola para testar a resistência da tela, porém podemos ver no drop test abaixo realizado pelo CanalTech se realmente a tela é “inquebrável”, como a Motorola diz.

 

Como podemos ver no vídeo, a tela é realmente resistente a quebras, e não a riscos, que isso fique bem claro. Vale dizer que a Motorola também deixou evidente esse aspecto, o que ajuda a justificar nossa “crítica” em relação as laterais que marcam bastante nos impactos afinal, a tela não quebrou em nenhum dos impactos, porém as laterais e a própria tela podem sofrer marcas e riscos.

Para solucionar esse fato, a Motorola garante que em qualquer stand ou assistência essa camada pode ser trocada com facilidade, deixando a tela nova.

Desempenho

A Motorola decidiu trazer o chipset 64 bit Qualcomm Snapdragon 810, que inclui como processador um quad-core 1.5 GHz Cortex-A53 e um quad core 2G GHz Cortex-A57. Tudo isso somado a 3 GB de memória RAM.

O desempenho do dispositivo é fantástico, sem nenhum tipo de lentidão ou travamento e marcou incríveis 92 mil pontos no AnTuTu. Sobre a temperatura, o Snapdragon 810 é conhecido por ser esquentadinho, porém a Motorola surpreendeu e conseguir controlar muito bem a temperatura. Instalamos todos os apps que usaríamos, os configuramos e até arriscamos jogar Need for Speed No Limits, e nada dele esquentar.

No entanto, ao fazermos uma gravação de meia hora em Full HD ele ficou fervendo. Em 4K, a situação piorou, porém, nenhuma mensagem de aquecimento apareceu e continuamos a gravar o vídeo normalmente (não esquentar nessas condições seria pedir demais, não é mesmo?).

Já sobre jogos, não era de se surpreender que um smartphone equipado com uma Adreno 430 não tivesse problemas para rodar qualquer game da Play Store, não é mesmo? Need for Speed No Limits, Sim City Buildit, GTA San Andreas, Asphalt 8 Airborne e Dead Trigger 2 foram testados e rodaram perfeitamente.

O Moto X Force traz 64 GB de memória interna, que é um número mais que o ideal para um smartphone. Instalamos tudo que tinha direito e nem nos preocupamos com armazenamento. A coisa fica melhor ainda se pensarmos que o aparelho ainda tem suporte a Micro SD de até 128 GB.

Sistema e interface

Como de costume, a Motorola trouxe a última versão Android (quase) puro, o 6.0 Marshmallow. A fluidez é incrível e a perfeição do novo sistema da Google apenas soma nos pontos positivos do aparelho.

A Motorola traz também dois aplicativos nativos:

  • Connect: Conecta com dispositivos Motorola para gerencia-los (Moto 360, Moto Pulse, Moto Surround, Motorola Power Pack Micro e Motorola Localiza);
  • Moto: Explica e configura o funcionamento da Moto Tela, dos sensores de movimentos e do sistema de voz;

Ambos são úteis e não comprometem em nada a fluidez do sistema.

 

Bateria

Com uma bateria de 3760 mAh e um ótimo gerenciamento, o Moto X Force entrega uma duração excelente.

Fiz um teste rotineiro com o aparelho: comecei o dia as seis e meia da manhã com 100% de carga. Com Wi-Fi ligado, usei as redes sociais, WhatsApp, Telegram e assisti a uma review de 20 minutos no YouTube. As sete e meia foi ligado o 4G que ficou conectado até as três da tarde. Nesse tempo utilizei o aplicativo do Uber, Facebook, WhatsApp, assisti por 50 minutos uma série no Netflix (Jessica Jones, para os curiosos de plantão) e ouvi músicas por umas três horas. Voltei a utilizar o Wi-Fi, mais redes sociais e mensageiros até as oito da noite, até que liguei o modo economia de bateria pois estava com 15%. Assisti Netflix e a bateria se esgotou por volta das dez horas da noite.

No total, consegui quase 6 horas de tela, com brilho automático e localização ligada. No outro dia, fiz um teste de deixar um vídeo passando até a bateria se esgotar e a surpresa: mais de 6 horas até a bateria se esgotar.

Já sobre o carregamento, a Motorola trouxe o carregador Turbo, que consegue completar a carga em menos de uma hora.

Dessa forma, se está preocupado com a bateria, fique mais tranquilo porque o Moto X Force consegue te proporcionar um só carregamento por dia.

Câmeras

Nas gerações passadas o grande ponto fraco da linha Moto X sempre foi a câmera, porém na geração atual as coisas vêm mudando.

Trazendo uma câmera traseira de 21 MP, o Moto X Force consegue tirar fotos excelentes. Como aquele ditado já dizia, “uma imagem vale mais que mil palavras”, confira algumas fotos tiradas com o aparelho:

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Sobre os vídeos, a câmera traseira grava em 4k e 30 fps, com Slow Motion, vídeo HDR e um ótimo estabilizador de vídeo. Além, é claro, de contas com o auxílio de um flash dual-LED.

Já a câmera frontal é de 5 MP e entrega uma boa qualidade, que fica ainda mais legal por ter um flash frontal.

Áudio

Quando vimos as duas saídas de áudio frontais logo pensamos o quão surpreendente seria, porém nos decepcionamos um pouco ao ver que apenas a saída direita é dedicada ao alto-falante.

No entanto, o som é bem alto, claro e sem distorções. O único problema mesmo fica por conta de usar apenas uma saída de som, sendo mono. Quando se está jogando ou assistindo um filme e sem querer tampamos essa única saída, paramos de ouvir quase por completo os sons omitidos, atrapalhando um pouco.

Na caixa do Moto X Force podemos encontrar também um fone de ouvido, o mesmo encontrado desde a segunda geração do Moto X. Para os mais exigentes com áudio, como eu, o fone é fraco, com sons baixos e agudos apagados. A única ressalva são os bons graves.

No entanto, ao testar o áudio do aparelho com um fone melhor, vimos que o hardware do aparelho é competente e entrega um som profissional se utilizar um fone à altura.

Sensores

Geralmente não entro muito no assunto de sensores nas análises pelo fato dos aparelhos sempre entregarem um conjunto similar, porém tive de abrir uma exceção.

Os sensores de proximidade, acelerômetro e a bússola são perfeitos! É nítida a diferença em jogos que exigem desses sensores, e principalmente na Moto Tela. Ela acende toda vez que você precisa, sendo incrível a precisão do dispositivo.

Afinal, vale a pena investir no Moto X Force?

O Moto X Force foi feito para quem procura três coisas: o máximo de potência, tela extremamente resistente com garantia de 4 anos contra quebra e dinheiro para gastar. O aparelho veio custando R$ 3.499,00, um preço salgado. Agora, seria justo? Talvez. A Motorola deve estar tendo uma fatia justa do valor do aparelho, que traz tecnologias mais caras (como a tela), porém nosso país está passando por momentos difíceis, o que encareceu não só esse, mas como todo produto eletrônico.

Deixando o imposto de lado, nenhum concorrente consegue entregar a tecnologia e proposta dessa tela, o que faz o Moto X Force o único competidor quando se fala em uma corrida pela tela “inquebrável”, executando muito bem seu papel e fazendo valer a pena o investimento (ainda ignorando os impostos, claro).