[Review] Rise of the Tomb Raider

Nono jogo da franquia Tomb Raider chega aos PCs e cai nas nossas mãos para review. Será que a Crystal Dynamics acertou a mão em Rise of  theTomb Raider?

Desde o lançamento do primeiro título da série, “Tomb Raider: Atlantean Scion”, em 1996, a arqueóloga Lara Croft consegue proporcionar horas e horas de diversão e aventura aos gamers. Hoje, com 9 games no catálogo, sendo os 6 primeiros produzidos pela Core Design e os 3 restantes pela Crystal Dynamics, a franquia se tornou um sucesso no mundo dos games, tendo sido premiado pelo Guiness Book como a “a melhor e mais bem-sucedida aventureira heroina do mundo do videogame” em 2006.

Em 2013, já com produção da Crystal Dynamics, foi lançado o reboot da série: o homônimo “Tomb Raider”. O game surpreendeu os jogadores por trazer de volta o fôlego à famosa franquia da arqueóloga Croft, rendendo prêmios para a empresa, sendo inclusive, considerado pelo IGN o melhor jogo de ação-aventura do ano para PC e Xbox 360.  Se beneficiando do sucesso, em junho de 2014 foi anunciada a sequência do game intitulada de “Rise of the Tomb Raider”, causando certo receio nos jogadores afinal, sabemos o que acontece com jogos que são lançados mais rápidos que a velocidade da luz.  O novo game da série chegou primeiro ao Xbox One e ao Xbox 360, em 13 de novembro de 2015 e posteriormente, para PC, sendo lançado dia 28 de janeiro de 2016. Já a versão para PS4 segue em desenvolvimento, com previsão de lançamento no final de 2016.

Após passar por poucas e boas numa ilha, Lara segue para sua próxima aventura, a sua busca incessante pela Fonte Divina, uma relíquia pesquisada pelo seu pai Richard Croft antes de sua morte, que promete tornar imortal aqueles que a utilizem. Além dela, a organização Trindade também está atrás do artefato mítico e dispostos a tudo para não permitir que Lara coloque as mãos nele primeiro. A história é envolvente e muito bem escrita, apesar de previsível em alguns momentos, apresentando reviravoltas que fazem com que o gameplay se torne mais rico, intenso e claro, que você não tenha mais vontade de parar de jogar. A mitologia, assim como no último game, está presente, e além de ser um dos alicerces da história também é um fator que contribui para aqueles que adoram a mistura entre o real e o surreal. Outro ponto importante a ser destacado é a importância de outros personagens na história, o que não faz de Lara a “Indiana Chuck Norris Jones” do game, pois por afeto ou até mesmo por raiva, ela se mostra frágil em certos momentos da história, o que facilita o processo de identificação com a personagem. No entanto, isso não significa que o game não retrate e muito bem a evolução da personagem desde a aventura de 2013, mas sim, demonstra que ela, acima de todas as suas habilidades é um ser humano e como tal, passa por altos e baixos.

A ambientação do game também é algo de encher os olhos. Com os cenários mais variados, que vão desde as montanhas gélidas da Sibéria, até a mítica cidade russa Kitezh, a reprodução com fidelidade impressiona. A sensação do sol escaldante no deserto da Síria, a massiva quantidade de gelo durante uma avalanche na Sibéria, o solo nos vales geotérmicos… Todos os detalhes parecem ter sido planejados cuidadosamente para fazer com que o jogador possa se sentir o mais imerso possível no universo de Lara.

O gameplay do jogo também está excelente. Apesar de trazer de volta muita coisa vista no jogo de 2013, muita novidade como habilidades e mecânicas foram acrescentadas e o jogo se apresenta de uma maneira mais suave e realista.

A arqueóloga é capaz de correr, pular, escalar e saltar de distâncias relativamente grandes sem nenhum problema. Os movimentos apresentam-se de maneira natural e realista, não tanto quanto em Assassin’s Creed Syndicate, por exemplo, mas ainda assim de uma maneira harmoniosa. A habilidade de usar objetos para escalação também está de volta, sendo possível usar um machado de escalada para cavar o gelo ou uma flecha com cordas para assistir a escalação de alguns ambientes.

Quando se trata do combate, armas é o que não faltam. Além do tradicional e adorado arco, também é possível encontrar pistolas, fuzis de assalto, escopetas e armas para combate estratégico vulgo stealth como a tradicional faca. Falando no combate stealth, esse pode ser um grande companheiro em momentos que o número de inimigos é muito elevado. É possível esconder-se em arbustos e efetuar execuções com a faca, ou atirar uma flecha silenciosamente. Porém, o jogo não pode ser jogado totalmente dessa maneira. Existem momentos em que é necessário o uso da força bruta para sair das situações de perigo.

A possibilidade de criação de itens também está presente no jogo. É possível coletar recursos para a criação de kits médicos, melhorias para armas e até mesmo para criação de flechas e armas de combate, como por exemplo, molotovs e granadas de fumaça, o que nos lembra um pouco The Last Of Us. Com o passar do jogo é possível adquirir a habilidade de criação rápida, o que facilita bastante quando surge a necessidade de algum artefato e se está longe do acampamento.

Como a maioria dos games do gênero, também é possível realizar upgrades na personagem, e isso é feito com os pontos de habilidade adquiridos conforme você ganha experiência em combate e vai passando através dos desafios do game. As habilidades só podem ser melhoradas através de um acampamento, e estão divididas em 3 categorias: combatente, sobrevivente e caçadora, cada categoria possui 17 habilidades diferentes que podem ser adicionadas à personagem ao custo de 1 ponto.

O jogo possui 4 níveis de dificuldade, cada um deles com suas singularidades. Além disso, há diversos enigmas durante o caminho de Lara, que podem fazer os jogadores gastar um bom tempo procurando uma solução para o problema. Nada muito complexo, porém, certamente desafiador.

O modo história do jogo possui um total de 15 horas, porém, se você é daqueles que não gosta de perder um troféu, existe muito mais além da história para se fazer. Missões secundárias podem ser realizadas a fim de se obter itens coletáveis ou itens que podem ser utilizados para melhorias de armas, além de fortalecer a sua relação com os seus aliados, os habitantes locais que também lutam contra a trindade conhecidos como os remanescentes. E àqueles que gostam de explorar, existem diversas tumbas que proporcionam desafios e claro, boa parte dos itens coletáveis do jogo. Estima-se que para completar 100% do jogo sejam necessárias aproximadamente 40 horas.

Não podemos deixar de elogiar os gráficos do jogo. Apesar de ser conhecida pelo seu excelente trabalho nesse quesito, a Crystal Dynamics nos surpreendeu muito nesse quesito. Mesmo na versão de Xbox 360, é possível notar a superioridade do jogo em relação a outros atuais que saem para plataforma. A otimização do game para PC também é algo a ser creditado, foi possível executar o jogo numa taxa de quadros satisfatória com um i7 3770, e uma HD 7770 de 1 GB, com os presets no médio e em Full HD. Claro, que toda a nossa captação de imagens foi feita com uma 980ti em 2k (agradecimentos ao amigo Cristiano Pereira por essa), mas ainda assim, é impressionante que mesmo placas mais antigas como a 3770 consigam encarar tranquilamente o jogo. Outro ponto impressionante são os níveis de detalhes técnicos presentes no jogo. Ao sair da água, Lara amarra seu cabelo e é possível perceber durante um tempo o movimento do cabelo molhado enquanto se movimenta. Na nevasca, a maneira como ela anda mais encolhida e demonstra estar fraca por causa do frio também é muito próxima do real, são detalhes pequenas que com certeza, fazem a diferença, aumentam ainda mais aquela sensação de imersão do jogador no game.

Além da história principal, temos também a DLC Baba Yaga já foi publicada. Ela conta a história de Nadia que após fugir dos soldados da trindade pede para que Lara resgate seu avô que foi a procura da bruxa Baba Yaga no Vale Sinistro. Segundo a lenda, que se passa no leste europeu, a bruxa Baba Yaga vive na escuridão da floresta, onde quase ninguém é capaz de chegar, e os que lá chegam não retornam. Lara, sempre disposta a ajudar, vai para o Vale Sinistro onde enfrenta desafios mais complexos do que podemos encontrar no modo história, em busca de derrotar Baba Yaga. A DLC acrescenta um novo tipo de flecha e aproximadamente quatro horas de jogo, sendo aproximadamente metade de história e a outra metade, de exploração.

Rise of the Tomb Raider é maior e melhor do que seu predecessor de 2013, trazendo basicamente uma versão melhorada daquilo que já foi um excelente jogo. O game ganhou diversos prêmios ainda no ano de 2015, como melhor jogo de Xbox One, segundo o IGN e podemos dizer que o título é merecido. Com uma história excelente, gráficos poderosos e um gameplay ótimo, o jogo é indispensável para os fãs do gênero action-adventure e para os mais saudosos do mundo dos games. Portanto, se você é uma dessas pessoas, não deixe de apertar o play e curtir tudo que o jogo tem de bom a oferecer.

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Agradecimentos e menções honrosas

À Assessoria de imprensa Square Enix (distribuidora do jogo) pela disponibilização do jogo para teste.
Ao Cristiano Pereira por tirar as screenshots em alta qualidade.
Ao Bruno Micali, redator do NZN pelas dicas fornecidas.