[Review] Sony Xperia Z5

Depois do polêmico e esquentadinho Xperia Z3+, a Sony traz o Xperia Z5 cheia de promessas, será que ela conseguiu cumpri-las? Confira em nosso review!

Em meio a grandes lançamentos, sendo um deles da própria Sony, o Xperia Z3+, o Xperia Z5 chega com a árdua missão de competir com eles em uma geração onde a perfeição é exigida em todos os pontos, isso porque desempenho e fluidez já é algo obrigatório em qualquer smartphone.

O Xperia Z5 chega com mais um peso nas costas: Controlar a temperatura do polêmico processador Snapdragon 810, que fez donos de Z3+ suar as mãos de calor ao segurá-lo em estresse. O trabalho da Sony no Z5 foi colocado em prova em nosso review.

Tirando da caixa

A Sony trouxe uma caixa compacta em um estilo clean. Dentro dela o usuário encontra o aparelho, um fone de ouvido, o carregador e um cabo USB. Infelizmente, a Sony nos enviou apenas o aparelho, sem nem mesmo o carregador, mas comentaremos disso mais a frente.

O Sony Xperia Z5 branco que recebemos é elegante, com uma frente inteira branca, onde na parte superior temos um alto-falante, a câmera frontal de 5Mp, os sensores e o logo da Sony, enquanto que na parte inferior temos outro alto-falante e nada mais além de borda.

A tela IPS LCD Full HD de 5.2″ não preenche muito bem a parte frontal, ocasionando em bordas grandes e em um aproveitamento ruim de espaço.

A parte traseira é inteira de metal prata em uma textura fosca, com tampa não removível. Na parte superior esquerda temos a câmera traseira de 23Mp e o flash LED. Um pouco mais abaixo, no centro, temos o logo do NFC e o da fabricante Sony. Na parte inferior, o logo da linha Xperia.

Na borda de cima do aparelho temos apenas a entrada para fone P2 e um microfone. Na borda de baixo, um conector Micro USB 2.0 (nada de Type C por aqui) e uma espécie de conector para cordões ou chaveiros já típico da linha Xperia.

A borda esquerda tem uma entrada para o slot do cartão Nano SIM e do Micro SD expansível até 200GB. A gaveta para os cartões é bem complicada para ser manuseada, exigindo algum tipo de pinça para puxar ela para fora.

Enquanto que na borda direita temos na parte inferior os botões de câmera, de volume e no centro o botão power com um leitor de impressão digital embutido.

Durante nosso uso, os botões na parte inferior incomodaram bastante, isso porque geralmente parte da palma da mão fica por ali, o que exige certo malabarismo para mudar o volume ou acionar a câmera. No entanto, a posição do botão power com o leitor de impressão digital ficou perfeita, sendo uma ótima sacada da Sony fugir da posição padrão, que seria lá embaixo na parte da frente.

Falando mais sobre a impressão digital, o reconhecimento é extremamente veloz e eficaz, no entanto, achamos um incomodo ter que pressionar o botão power e ai sim esperar o reconhecimento da impressão digital, onde seria mais interessante apenas encostar no botão e a tela já ser desbloqueada.

Algo que nos chamou foi que os quatro cantos do aparelho são em plástico. Imaginamos que sejam as antenas muito bem posicionadas, não quebrando o design.

O Sony Xperia Z5 é a prova de respingos d’água, o que foi comprovado em nossos testes. O único problema é que nas primeiras horas após ter sido molhado por espirros de água, ele ficou apontando que havia um fone de ouvido conectado.

A pegada do aparelho não é das mais agradáveis, sendo bem liso. Ele tem 146 milímetros de altura, 72 de largura e 7,3 milímetros de espessura. O seu peso chega em 154 gramas de peso total. O aparelho é grande, e se compararmos com o tamanho da tela, vemos que a Sony não se deu ao luxo de diminuir as bordas, trazendo um aparelho que incomoda no bolso. Outro problema é o formato mais quadrado já conhecido da linha Xperia, o que gera certo incomodo em um uso mais pesado durante o dia para quem está habituado por aparelhos que são feitos pensando no formato das mãos.

Hardware

Chegamos em um ponto polêmico do Xperia X5. Após o Xperia Z3+ trazer o Snapdragon 810 literalmente  fervendo a traseira do aparelho, a Sony opta por trazer o 810 também para o Z5, mas com a promessa de ter domado o esquentadinho. Ele é o mesmo MSM8994 que tínhamos no Z3, incluindo o mesmo octa-core (quatro rodando em 1.5 GHz e outros quadro em 2 GHz), porém a Sony diz que colocou dois dissipadores no aparelho com intuito de diminuir o aquecimento do processador.

Durante nosso uso, reparamos um aquecimento  na parte superior traseira, mas nada que incomodasse tanto. Ou seja, a Sony conseguiu domar o Snapdragon 810, diminuindo consideravelmente o aquecimento comparado ao Z3+, deixando claro que houve um certo equívoco no aparelho anterior, mas esse assunto fica para outra matéria.

Completando o hardware, temos 3 GB de memória RAM, 32 GB de armazenamento interno e a Adreno 430 como GPU.

A tela de 5.2″ tem uma resolução Full HD, o que causa estranheza em uma geração focada em telas 2K para cima. No entanto, é impossível ver um só pixel na tela e a definição é linda, provando que os 424 ppi dão conta do recado e que uma tela de 1080p é mais do que suficiente.

O touch da tela é preciso e com uma sensibilidade regulada com a tela ligada, no entanto, tivemos alguns problemas com o smartphone no bolso enquanto a função de ligar a tela com dois troques estava ativada. Pessoalmente, estou acostumado com o precursor dessa tecnologia, o LG G2 com o Knock On, o dispositivo só liga com dois toques com o dedo na tela, com tecido isso não acontece. No entanto, o Xperia Z5 ligou diversas vezes no meu bolso, chegando a fazer ligações quando o desbloqueio de impressão digital não estava ativada, me obrigando a desativar o recurso.

Software

A Sony optou por trazer o Android 5.1.1 Lollipop, já começando com o pé esquerdo por não trazer a última versão do sistema da Google. A fabricante prometeu um sistema mais limpo e sem muitas modificações, e foi o que aconteceu.

A barra de notificações, assim como a tela de configurações possuem poucas alterações, se limitando apenas aos ícones e em alguns tons. Outra mudança é na tela de gerenciamento de energia, com explicativos sobre os modos de bateria Stamina, muito eficientes por sinal, o que comentaremos mais logo abaixo.

A launcher foi a que mais sofreu alterações, sendo totalmente personalizada pela Sony, trazendo suporte a temas (que na verdade são simplesmente wallpapers com cores diferentes) e uma organização eficiente.

Em relação a sua integração com o hardware, está tudo de acordo, o multitarefa funciona extremamente bem, e o sistema não apresenta nenhum tipo de lag.

Por último, mas não menos importante, a Sony traz diversos aplicativos já pré-instalados, bloatwares, confira:

  • Álbum: Inteligente galeria de fotos em estilo metro
  • Clima: App de clima bem bacana, com previsões via AccuWeather.com
  • Efeito RA: Câmera com efeitos divertidos, adicionando balões e outros efeitos na imagem através da realidade aumentada, mas que parece não funcionar 100%, tendo alguns momentos de extrema lentidão
  • File Commander: Um fraco gerenciador de arquivos, que faz o que tem como proposta mas fica atrás de apps concorrentes
  • Lifelog: Esse app é interessante, ele controla a sua vida. Calma, iremos explicar, ele é um gerenciador de tarefas e atividades do seu dia a dia, focado também em atividade física. Ele mostra informações sobre o uso de todos os apps, de navegação, quantos passos foram dados, calorias queimadas, e etc, tudo em um só app. Pessoalmente, gostei bastante e gostaria de tê-lo em meu smartphone pessoal.
  • Movie Creator: Editor de vídeos recheado de funções bacanas, mas nada que fuja muito dos apps da categoria
  • PS Video: Tudo sobre seus vídeos do PlayStation
  • PSN: Conecte com sua conta da PSN
  • Rascunhar: Uma espécie de QuickMemo só que da Sony, onde você pode desenhar o que quiser no maior estilo Microsoft Paint.
  • Smart Connect: App para conectar o smartphone com outros eletrônicos Sony
  • TrackID: Uma espécie de Shazam muito funcional, identificando as músicas rapidamente
  • What’s New: Uma espécie de Play Store da Sony. Sinceramente, um aplicativo inútil e que poucos usarão
  • Xperia Lounge: Ofertas de vídeos, filmes e jogos. Outro app facilmente substituído pela Play Store.

Vale lembrar que a Sony também traz o Facebook, Dropbox,  Amazon Shopping, AVG Protection pré-instalados, e tirando esses apps e a PSN, os demais não podem ser desinstalados.

Desempenho

Sou daqueles que acredita que o desempenho se mede utilizando o aparelho no dia a dia, e não por benchmarks. No entanto, fique tranquilo para você que curte números, começaremos por eles:

Realizamos os testes de desempenho em diversos aplicativos de benchmark, confira os resultados e os comparativos:

  • AnTuTu Benchmark: 81793
  • Geekbench 3
    • Single-Core: 1357
    • Multi-Core: 4661
  • Vellano
    • Metal: 2238
    • Multicore: 2617
    • Chrome Browser: 4920
  • Quadrant: 37161

Mas, como disse no início, creio que o real teste acontece com o celular na mãos, e confesso que em nossos testes ele fez jus aos números. O desempenho é fantástico, não apresentando nenhum tipo de engasgo em nenhum aplicativo. E os jogos? Bom, começamos a jogatina com o Real Racing 3 e logo depois Asphalt 8: Airborne, e ambos rodaram lisos, sem nenhum lag e com gráficos no máximo mesmo após um aquecimento considerável.

Dessa forma, um ponto que não se deve se preocupar ao comprar um Sony Xperia Z5 é com desempenho.

Bateria

A Sony sempre é referência quando se fala de autonomia de bateria. Sempre fazemos um teste de bateria prático, onde realmente utilizamos o smartphone nos dias que podemos testa-lo.

Em uso razoavelmente pesado, com streaming via Apple Music, navegação na internet e uso de mensageiros, a bateria conseguiu duras das sete da manhã até as nove da noite tranquilamente, mantendo uma média de 8 horas de tela. A questão é que a Sony sempre bateu essas marcas, tendo uma duração além do padrão “um dia inteiro”.

No entanto, existe um recurso interessante que é o modo Stamina, que dá um gás no smartphone, mas é possível sentir uma certa lentidão no sistema com ele ativado. Já o modo Ultra Stamina, ele desativa todos seus aplicativos e mantém só o essencial, como ligações e mensagens.

No outro dia, testamos a bateria com o Real Racing 3, e apenas vinte minutos do game fez a bateria cair de 100% para 72%. Durante a exibição de um filme na NetFlix de uma hora e meia, metade da bateria se foi.  Logo depois, testamos uma gravação de vídeo 4K de cinco minutos, e cerca de 42% da bateria se foi.

No teste de bateria com o Geekbench 3, o Xperia Z5 fez 8104 pontos, com aproximadamente 13 horas e 35  minutos de tela ligada com brilho no máximo durante os testes.

Os números são bons, porém era esperado muito mais de um aparelho desse porte e com tantas promessas em relação a bateria.

Multimídia

Como já dissemos, na frente do Xperia Z5 temos dois alto-falantes, um em cima e outro embaixo. Dessa forma, temos um som stereo e frontal, algo de grande valor em smartphones hoje em dia. Em nossos testes, o som é nítido e claro, sem distorcer os graves e com uma boa altura, conseguindo cumprir as expectativas.

Iriamos falar aqui sobre os fones de ouvido, porém a Sony nos enviou apenas o smartphone, impossibilitando a análise desse item.

O aparelho traz 32 GB de armazenamento interno, sendo um bom número para armazenar qualquer tipo de mídia, no entanto, era esperado no mínimo 64GB em um aparelho high end de 2016. Um ponto que devemos dizer é que um pendrive USB 3.0 da Sandisk com OTG não foi reconhecido pelo smartphone, o que nos causou estranheza.

Câmeras

Uma das maiores expectativas para o Xperia Z5 são as câmeras. Começando pela frontal, ela tem 5 Mp e traz uma qualidade boa. Em ambientes claros ela se saiu bem, já em ambientes escuros teve certa dificuldade em clarear sem dar uma impressão de imagem lavada. Em relação a vídeos, ela consegue gravar filmagens Full HD a 30 FPS e tem a opção do HDR.

Enquanto a câmera traseira de 23 Mp, com estabilização digital, autofoco, abertura F 1.8 com um sensor 1/2.3″ traz uma ótima qualidade, surpreendendo durante os dias com um ótimo contraste nas cores e uma boa definição. O único ponto negativo que encontramos em fotos diurnas foi em relação ao zoom, que parece estar limitado, não deixando aproximar tanto em comparação com outros smartphones.

Já em relação as fotos noturnas, é evidente que a cada foto o Xperia Z5 tenta clarear ao máximo o ambiente, porém na maioria dos casos a foto ficou esbranquiçada em excesso, prejudicando a qualidade, sendo necessário tirar duas ou três fotos para poder escolher entre um resultado menos pior. Confesso que em um aparelho de gama alta como esse, isso não deveria acontecer com essa intensidade.

A gravação em vídeo da câmera traseira é na incrível qualidade 4k a 60 FPS. Em nossos testes, a imagem realmente é magnífica, no entanto, não existe diferença nítida em um monitor que não seja dessa qualidade.

Podemos ficar aqui comentando como foi a câmera, mas o melhor que podemos mostrar para vocês são testes reais, confira nossa galeria de imagens tiradas com o Xperia Z5 no modo automático, e uma gravação de vídeo noturna.

Conclusão

O Sony Xperia Z5 é um excelente smartphone em relação a desempenho, multimídia e tela. Traz uma boa câmera e uma bateria satisfatória. Os defeitos ficam por conta da péssima pegada e um manuseio estranho do aparelho.

A questão é que todos esses defeitos poderiam ser vistos com outros olhos se não tivéssemos esses números na loja da Sony: R$ 4.299,99. O preço é salgado, muito salgado. Tudo bem que em algumas lojas já é possível encontrar o aparelho por um pouco menos de 3 mil reais, mas ainda sim, quem paga um valor desses no smartphone não espera um deslize sequer por parte da fabricante, e não é o que acontece por aqui.

Infelizmente, O Sony Xperia Z5 não vale seu preço, não tendo nenhum diferencial frente aos seus concorrentes. Em nossos testes, sempre vinha aquele pensamento: Esse smartphone não chega perto de valer metade do valor que esta sendo vendido. Dessa forma, não é uma recomendação nossa, sugerindo que dê uma olhada nos aparelhos de gama alta de outras fabricantes.