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Porque o mercado de games está se tornando mercenário?

Com o passar do tempo, as desenvolvedoras passaram a ter, cada vez mais, apetite por ganhar dinheiro através de lançamentos, por vezes questionáveis. Seria razoável ou estamos fazendo papel de bobos?

Ah, os games. Fonte de diversão da humanidade desde o século passado. Fliperamas, Atari, MegaDrive, Super Nintendo até o conhecido e glorioso PlayStation, todos eles tinham um único objetivo: divertir o jogador. E faziam isso muito bem. Pacman, The Legend of Zelda, Sonic, Super Mario, Crash Bandicoot. Todos esses jogos são marcos na história dos videogames e até hoje envolvem milhares de jogadores em seus mundos e histórias.

O mercado de games sempre foi de grande importância pra indústria do entretenimento. Wii Sports, o jogo mais vendido do mundo no momento chegou a vender mais de 70 milhões de cópias. GTA V, a obra prima da rockstar passou dos 60 milhões de cópias vendidas e continua subindo. Mas nem tudo são flores não é mesmo?

De uns anos pra cá um comportamento diferente vem sendo adotado por algumas empresas, o denominado pay-to-play que é uma estrategia de faturamento diferente, permitindo que o jogo seja lançado pela metade e que complementos sejam adicionados à ele posteriormente. A essência da ideia é excelente. Trazer conteúdos novos a aumenta a vida de um jogo, ajudando a manter o interesse dos jogadores por ele. Roupas, novas missões, um novo modo de jogo, itens ou até mesmo um novo mapa.. Tudo é valido para justificar. O problema, porém, está na maneira como isso é aplicado.

Alguns jogos como o Star Wars Battlefront da Eletronic Arts possuem mais conteúdos prometidos pelo Season Pass (artefato que garante acesso à todas as DLCs do jogo) do que o próprio conteúdo padrão do jogo. Tom Clancy’s The Division que, até a presente data, possui 11 DLCs disponíveis pela Steam para acrescentar a licença principal.  Assassins Creed Unity, que trouxe em 2015 por DLC a queda do reinado de Napoleão Bonaparte que acontece anos depois do fim da história do assassino Arno. A Warner com a inclusão de lutadores em “Mortal Kombat X” via DLC… Os exemplos são infinitos…

O problema, no entanto, não está no conteúdo que é lançado! Apesar de muitas empresas lançarem conteúdos banais por DLC (vide Naruto Ultimate Ninja Storm 3 que recebeu 26 DLCs que trocavam somente as roupas dos personagens), alguns conteúdos são ótimos. O problema dessa estratégia além da demasia, é o preço. O Season Pass de Star Wars Battlefront custava 200 reais nos consoles, o que fazia o preço do game ir para 460 reais caso o jogador quisesse comprar a versão completa do game. Assassins Creed Syndicate teve sua versão completa custeada em 300 reais no PlayStation 4 e até hoje só teve uma DLC de história. Ou seja, os games que já não estão no preço de uma bala Juquinha, têm seu preço ainda mais elevado por algo que muitas vezes não vale a pena ou que deveria ser parte do jogo base.

O preço é outro assunto a ser tratado. Atualmente muitos dos jogos de console saem na faixa de 199-259 reais. Nem mesmo o PC e o glorioso Steam andam escapando dos preços abusivos. Metal Gear Solid V e Fallout 4 foram comercializados em seus respectivos lançamentos por 249 reais, Dark Souls 3 teve seu preço de pré venda duplicado por estar chegando próximo ao lançamento. Mortal Kombat X foi listado por 249 reais num primeiro momento antes de seu lançamento em abril do ano passado. Em alguns casos uma petição resolveu esse problema. Dark Souls não voltou ao preço original mas hoje custa R$129,00 no Steam. Mortal Kombat depois de vários insultos à distribuidora do jogo teve seu preço reajustado para 99,00. Mas essas são exceções à regra o que, infelizmente, vem fazendo com que os jogadores percam o ânimo e a esperança nas desenvolvedoras, acabando por abandonar suas franquias preferias durante anos, por exemplo.

E como nada está tão ruim que não possa piorar, ainda existe o famoso pay-to-win. Ferramenta que permite que os jogadores tenham um empurrãozinho por uma simbólica quantidade de dinheiro, sendo geralmente moedas dentro do jogo que podem ser compradas, adivinhe, com dinheiro de verdade. Essas, compram armaduras, itens ou até derrotam um inimigo pra você.

Em tempos tão escuros empresas que fazem o seu trabalho, respeitando o consumidor, ganham destaque. Até hoje, mesmo depois de 3 anos., atualizações de GTA V Online são liberadas gratuitamente. E não pense que são atualizações bobinhas. Toda a parte de golpes, um modo do jogo que permite que você planeje um objetivo e execute o plano com 3 amigos , foi adicionada gratuitamente às 5 plataformas que o jogo está disponível. Missões e itens são periodicamente adicionados e já se fala de uma nova DLC de história. Outro jogo que também merece destaque nessa categoria é o jogo do bruxo Geralt De Rivia, lançado pela CD PROJEKT RED, que faturou o prêmio Golden Joystick no ano de 2015 (ano de seu lançamento), e garantiu à empresa o prêmio de melhor desenvolvedora. Isso aconteceu não só porque o jogo é formidável, mas também porque a CDPR lançou por 16 semanas consecutivas DLCs gratuitas para o jogo do bruxão. Missões, roupas novas, cartas do mini game do jogo, o GWENT, e até mesmo um novo sistema de movimentos e o modo novo jogo foram adicionados durante essas 16 semanas. O Expasion Pass de The Witcher 3 também pode ser considerado uma ótima aquisição por custar 64 reais e acrescentar mais de 30 horas de jogo com uma nova história e novas missões.

Ao citar esses exemplos, que deveriam fazer parte da conduta de todas as empresas, nos fazemos a seguinte pergunta: Porque a prática mercenária das empresas se tornou tão popular? E como nós jogadores deixamos isso acontecer?

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