Um site falso que imita o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está utilizando dados pessoais verdadeiros para tentar convencer eleitores a pagar R$ 47,90 via Pix por uma suposta pendência no título. A fraude foi identificada pela ESET a poucos dias do primeiro turno das Eleições 2026.
A página se apresenta como um serviço de “Consulta de Situação Eleitoral” e solicita inicialmente o CPF. Depois de preenchido o campo, são exibidos dados como nome completo e nome da mãe, além de informações parcialmente mascaradas relacionadas ao título, zona e seção eleitoral.
Nos testes conduzidos pela empresa de cibersegurança, os dados pessoais apresentados correspondiam às pessoas consultadas. A origem dessas informações, porém, não foi identificada, e não há evidências de que tenham sido obtidas dos sistemas da Justiça Eleitoral.
O golpe aproveita a proximidade da votação para aumentar a sensação de urgência. O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 está marcado para domingo, 4 de outubro, das 8h às 17h no horário de Brasília.
Todos os CPFs recebem a mesma dívida

Um dos principais sinais de fraude apareceu quando a ESET realizou consultas utilizando diferentes CPFs válidos.
Em todos os testes, o site apresentou exatamente o mesmo resultado: título supostamente irregular e cobrança total de R$ 47,90.
O valor é dividido pela página em três supostas pendências:
- R$ 26 por ausência eleitoral;
- R$ 14,90 por encargos legais e administrativos;
- R$ 7 por uma suposta taxa de regularização cadastral.
A repetição da cobrança independentemente do CPF indica que a página não está efetivamente consultando a situação eleitoral individual do visitante, mas utilizando um resultado previamente definido para conduzi-lo até a etapa de pagamento.
O TSE já alertou em 2026 sobre golpes que utilizam páginas falsas e supostas pendências eleitorais. O tribunal afirma que não cobra taxas por serviços de regularização eleitoral e orienta que consultas e procedimentos sejam realizados exclusivamente pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
Site mostra nome da mãe para aumentar credibilidade
A fraude não se limita a reproduzir cores, textos ou referências visuais associadas à Justiça Eleitoral.
Depois que o usuário informa o CPF, a página apresenta nome completo e, posteriormente, nome da mãe. Também são exibidos campos parcialmente ocultos que simulam informações relacionadas ao título de eleitor.
Esse uso de informações verdadeiras pode aumentar a credibilidade do golpe, principalmente para quem associa a presença dos dados pessoais a um suposto acesso a uma base oficial.
Segundo a análise da ESET, os criminosos combinam essas informações com mensagens de urgência para reduzir o tempo que a vítima dedica a verificar a legitimidade da página.
O endereço utilizado pelo site fraudulento termina em “.online”, enquanto o endereço oficial do Tribunal Superior Eleitoral utiliza o domínio tse.jus.br. O próprio TSE recomenda conferir a URL antes de fornecer dados ou realizar qualquer procedimento.
Golpe ameaça eleitor com perda do direito ao voto
Depois de simular a consulta, a página informa que o título está “PENDENTE”.
Em seguida, apresenta diferentes consequências caso a suposta dívida não seja paga, incluindo ameaça de suspensão do direito ao voto, impedimento de participar das eleições e restrições relacionadas a benefícios e outros serviços.
A estratégia busca induzir uma decisão imediata antes que o usuário confira a informação em um canal oficial.
Eleitores podem consultar gratuitamente a situação do título pelo Autoatendimento Eleitoral do TSE. A consulta permite verificar a existência de eventuais pendências e orientações para regularização.
Pix não tem a Justiça Eleitoral como destinatária

Ao selecionar a opção para quitar a suposta dívida, a página apresenta um QR Code e um código Pix Copia e Cola.
O site permanece em uma tela de espera pela confirmação da transação, criando a aparência de que o pagamento será reconhecido automaticamente.
Entretanto, ao verificar os dados no aplicativo bancário, o recebedor identificado nos testes da ESET era uma empresa sediada em Curitiba, e não a Justiça Eleitoral ou o Tesouro Nacional.
A ESET não conseguiu confirmar se essa empresa teria participação direta na fraude ou se estaria sendo utilizada apenas como intermediária no processamento do pagamento.
Também não foi possível determinar o destino final do dinheiro.
Como evitar o golpe do falso site do TSE
A principal recomendação é evitar consultas eleitorais por links recebidos em mensagens, anúncios ou páginas desconhecidas.
O TSE orienta que consultas sobre a situação eleitoral sejam realizadas diretamente por seus canais oficiais ou pelo aplicativo e-Título. A Justiça Eleitoral também afirma que não solicita pagamentos ou dados pessoais por mensagens, SMS, aplicativos ou e-mail.
Antes de realizar qualquer pagamento por Pix, é importante conferir os dados apresentados pelo banco, principalmente nome e documento do destinatário.
A presença de nome completo, nome da mãe ou outros dados pessoais em uma página não é, por si só, uma garantia de que o serviço seja legítimo.
Quem já realizou um pagamento relacionado ao golpe deve entrar em contato imediatamente com o banco pelos canais oficiais, informar a fraude e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. A orientação inclui ainda registrar um boletim de ocorrência.
Com a proximidade das eleições, mensagens que combinam supostas pendências, ameaça de impedimento para votar e cobrança imediata devem receber atenção especial. A situação eleitoral pode ser verificada gratuitamente nos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
Fontes: ESET e Tribunal Superior Eleitoral
Compartilhar
