Pular para o conteúdo
Inteligëncia Artificial

PUCPR cria código para estimular pensamento crítico no uso de inteligência artificial

5 min
PUCPR IAs Código Humanitas

A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desenvolveu o Código Humanitas, um protocolo criado para orientar a interação de usuários com sistemas de inteligência artificial. A proposta é incorporar à conversa com diferentes modelos diretrizes relacionadas à checagem de informações, apresentação de diferentes perspectivas e preservação da autoria e da capacidade de decisão humana.

O código funciona como um prompt que pode ser inserido no início de uma conversa com uma ferramenta de IA. Segundo a universidade, a orientação busca fazer com que o sistema indique fontes verificáveis, apresente diferentes pontos de vista e recomende avaliação humana em situações nas quais uma resposta equivocada possa trazer consequências relevantes.

A iniciativa surge em um momento de expansão do uso de IA no ambiente profissional e no cotidiano. De acordo com a Pesquisa Global Hopes and Fears 2025, da PwC, citada pela PUCPR, 70% dos trabalhadores brasileiros entrevistados afirmaram ter utilizado inteligência artificial em suas funções no último ano, contra 54% na média global.

O objetivo do projeto, portanto, não é restringir o uso dessas ferramentas, mas estabelecer uma camada adicional de orientação para a interação entre pessoas e sistemas de IA. A proposta é especialmente relevante em situações nas quais a resposta de um modelo pode ser tomada como informação definitiva, apesar das limitações conhecidas dessas tecnologias.

Código tem 12 artigos e cinco cláusulas finais

O Código Humanitas é formado por 12 artigos e cinco cláusulas finais. Entre as diretrizes estão a transparência sobre as informações apresentadas pela IA, a indicação de fontes que possam ser conferidas pelo usuário e a consideração de perspectivas diferentes antes da formulação de uma resposta.

Outro princípio previsto pelo protocolo é a preservação da autoria humana. A ideia é evitar que a participação da pessoa seja reduzida à simples aceitação de um conteúdo produzido pela máquina, mantendo com o usuário a responsabilidade por interpretar, criar e tomar decisões.

O documento também orienta a IA a recomendar validação humana em temas de maior impacto, como saúde, direito e finanças. Nesse caso, o protocolo funciona como um lembrete para que a resposta do modelo não seja tratada automaticamente como orientação suficiente para uma decisão.

Segundo a PUCPR, o código passou por cenários de avaliação que incluíram testes A/B com diferentes modelos de inteligência artificial. A universidade afirma que essa etapa procurou avaliar se as instruções eram capazes de provocar mudanças consistentes no comportamento das ferramentas em diferentes situações de uso.

Projeto reúne pesquisadores e especialistas em IA

O desenvolvimento foi conduzido pela PUCPR com a participação de professores e pesquisadores da instituição, do advogado e pesquisador de tecnologia Ronaldo Lemos, do educador e consultor de IA generativa Paulo Aguiar e da 404 Innovation Studio.

Para Cristina Pastore, diretora de Marca e Futuro da PUCPR e porta-voz do projeto, a iniciativa procura conciliar o avanço tecnológico com a manutenção da capacidade humana de questionar e decidir.

“A questão é como podemos avançar tecnologicamente sem abrir mão daquilo que nos torna humanos: a capacidade de questionar, interpretar, criar e decidir. O Código Humanitas nasce justamente desse lugar. Ele não quer impedir o uso da IA, mas contribuir para que ela seja utilizada de maneira mais consciente, transparente e responsável”, afirma.

A iniciativa está relacionada ao posicionamento “Nunca Pare de Pensar” da PUCPR e também dá continuidade a discussões da universidade sobre inteligência artificial. A instituição criou um Observatório de IA em 2023 e lançou, em 2026, uma estratégia interna para orientar o uso da tecnologia em diferentes áreas.

O projeto também é apresentado pela universidade em conexão com princípios da encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV em maio de 2026, que aborda os impactos do avanço de sistemas de inteligência artificial sobre a capacidade humana de pensar e decidir.

Como usar o Código Humanitas

O protocolo não depende de uma plataforma específica de inteligência artificial. De acordo com a PUCPR, o usuário precisa apenas inserir o código no início de uma conversa para que as diretrizes passem a orientar a interação.

O Código Humanitas da PUCPR está disponível no site nuncaparedepensar.com.br e pode ser utilizado com diferentes ferramentas de IA.

A proposta, na prática, se aproxima de outras iniciativas que tentam reduzir a dependência cega das respostas produzidas por modelos generativos. A diferença está em transformar princípios como transparência, verificação de fontes e supervisão humana em instruções que podem ser aplicadas diretamente durante uma conversa com a IA.

É importante, porém, lembrar que um prompt não elimina as limitações do próprio modelo. A indicação de uma fonte, por exemplo, não garante que a informação esteja correta ou que a referência realmente sustente a afirmação apresentada. A conferência pelo usuário continua sendo necessária, sobretudo em decisões de maior impacto.

Mais em Inteligência Artificial

Ver tudo sobre Inteligência Artificial →

Compartilhar

Redação

Escrito por