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Claro começa a ativar proteção gratuita contra chamadas abusivas

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Claro Bloqueio Chamadas Abusivas
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A Claro começou a avisar clientes por SMS sobre a ativação gratuita de uma proteção contra chamadas abusivas. O recurso será aplicado na rede da operadora para ajudar a reduzir ligações indesejadas e não terá custo adicional para o consumidor. A empresa também informa que o serviço poderá ser desativado a qualquer momento.

O aviso enviado aos clientes diz: “Ativaremos grátis proteção na rede contra chamadas abusivas”. A mensagem apresenta ainda um link específico para quem quiser cancelar a proteção. A Claro, porém, ainda não divulgou publicamente, no material disponível, detalhes sobre os critérios técnicos usados para determinar quais chamadas serão bloqueadas.

É justamente nesse ponto que a experiência recente da Vivo ajuda a explicar como a solução da Claro poderá funcionar. O Anti Spam da Vivo também atua diretamente na rede, analisando padrões do tráfego telefônico para identificar chamadas consideradas abusivas antes que elas cheguem ao celular do cliente. A tecnologia, entretanto, gerou uma disputa com outras empresas de telecomunicações depois de reclamações sobre possíveis bloqueios de chamadas legítimas.

A discussão envolvendo a Vivo ganhou relevância em 2026 e acabou acompanhada pela Anatel, que estabeleceu novas regras para mecanismos próprios de bloqueio automático de chamadas abusivas. Entre as preocupações estão justamente a necessidade de evitar bloqueios indevidos, garantir transparência e oferecer mecanismos de contestação.

Como a proteção da Claro pode funcionar

Como a Claro não informou os detalhes do sistema, ainda não é possível afirmar quais tecnologias ou critérios serão usados pela operadora. No entanto, a expressão “proteção na rede” indica uma abordagem diferente de aplicativos que identificam números suspeitos no próprio celular.

Antispam: Proteção contra chamadas abusivas

A Claro está ativando gratuitamente uma proteção na rede para ajudar a reduzir chamadas abusivas e indesejadas. O recurso será disponibilizado sem custo aos clientes e poderá ser desativado a qualquer momento.

No caso do Vivo Anti Spam, o processamento acontece antes de a chamada chegar ao telefone do cliente. A operadora analisa o comportamento das linhas que realizam ligações e mantém uma lista de restrição atualizada com base nos registros de tráfego.

Entre os fatores considerados pela Vivo estão volume de chamadas, características do tráfego, duração e comportamento das ligações, chamadas realizadas em massa e informações relacionadas à identificação e autenticação da chamada. O sistema também pode considerar a atividade econômica associada ao titular da linha.

Caso a Claro adote uma estratégia semelhante, é possível que chamadas sejam avaliadas pelo comportamento do número que as origina, e não simplesmente por uma lista fixa de telefones denunciados por usuários. Essa é uma possibilidade baseada no funcionamento divulgado pela Vivo, e não uma confirmação sobre a tecnologia da Claro.

Uma arquitetura desse tipo permitiria que a operadora analisasse padrões associados a chamadas automáticas, robocalls, telemarketing abusivo ou determinados comportamentos considerados anormais. O objetivo seria interromper a chamada na própria rede antes que ela seja entregue ao destinatário.

Bloqueio pode acontecer antes de o celular tocar

A principal diferença entre um mecanismo de rede e um aplicativo antispam está justamente no ponto em que a análise acontece.

Em um sistema instalado no smartphone, a chamada normalmente precisa chegar ao aparelho para que o software consiga identificá-la e classificá-la. Já uma proteção implementada na rede pode tomar a decisão antes de a ligação ser encaminhada ao telefone.

É dessa maneira que funciona o Anti Spam da Vivo. A solução consegue analisar inclusive chamadas originadas em outras operadoras quando elas chegam à rede Vivo. Se o tráfego for classificado como abusivo, a chamada pode ser impedida de completar.

Se a Claro seguir uma arquitetura semelhante, o consumidor poderá simplesmente deixar de receber determinadas chamadas sem precisar instalar um aplicativo ou configurar manualmente uma lista de números bloqueados.

Ainda assim, não é possível dizer neste momento se a Claro utilizará exatamente os mesmos critérios da Vivo ou se adotará uma tecnologia própria.

Vivo mostrou que esse tipo de bloqueio não é simples

O caso da Vivo também ajuda a entender por que as operadoras precisam ter cuidado ao criar sistemas desse tipo.

O Anti Spam começou a ser testado pela Vivo no fim de 2024 e posteriormente passou a ser disponibilizado automaticamente para clientes móveis. A proposta é identificar chamadas massivas e comportamentos associados a ligações abusivas, mas a implementação acabou provocando reclamações de outras empresas do setor.

A partir de junho de 2026, companhias de telecomunicações levaram à Anatel relatos de chamadas legítimas que não estariam sendo completadas para clientes Vivo. Uma das reclamações citadas envolveu a Adyl Telecom, que afirmou que mais de 16 mil chamadas haviam sido interrompidas, incluindo ligações atribuídas a hospitais e órgãos públicos. Também houve relatos envolvendo centenas de números ligados à Prefeitura de Araçatuba, em São Paulo.

As empresas questionaram principalmente os critérios utilizados para classificar o tráfego como abusivo e o nível de transparência oferecido para contestar um bloqueio.

A Vivo, por sua vez, defendeu o funcionamento do sistema e afirmou que a ferramenta é voltada a chamadas massivas, automáticas, sem identificação adequada e práticas como spoofing. A empresa também relacionou o funcionamento do sistema aos mecanismos de autenticação de chamadas, como o STIR/SHAKEN.

Anatel criou regras após a disputa

A controvérsia envolvendo o Anti Spam da Vivo ocorreu em paralelo a uma discussão mais ampla sobre o poder das operadoras de bloquear chamadas diretamente em suas redes.

Em agosto de 2026, a Anatel estabeleceu regras para mecanismos próprios de bloqueio automático de chamadas abusivas. A agência passou a exigir princípios como proporcionalidade, boa-fé, transparência e não discriminação.

As regras também preveem que a proteção seja gratuita para o consumidor e possa ser desativada. Além disso, as operadoras precisam informar critérios à Anatel e oferecer canais para contestação. Serviços essenciais e números de emergência também devem receber proteção contra bloqueios indevidos.

Esse histórico será relevante para a implementação da solução da Claro. Se o mecanismo funcionar de maneira semelhante ao da Vivo, a operadora terá de equilibrar a filtragem de chamadas abusivas com o risco de impedir ligações legítimas.

O maior desafio é evitar falsos positivos

Um sistema antispam de rede precisa resolver dois problemas diferentes. O primeiro é deixar passar uma chamada indesejada. O segundo é bloquear uma chamada que deveria chegar ao destinatário.

O primeiro cenário significa que o consumidor recebe uma ligação de spam. O segundo pode ser muito mais problemático: uma chamada legítima de um hospital, empresa, serviço público ou outro contato importante pode deixar de ser completada.

Foi justamente esse tipo de situação que esteve no centro das reclamações contra o sistema da Vivo. A discussão mostrou que identificar uma chamada abusiva não é necessariamente tão simples quanto identificar um número conhecido por fazer spam.

Uma linha que realiza muitas chamadas em sequência, por exemplo, pode pertencer a uma operação de telemarketing abusivo, mas também pode estar sendo utilizada legitimamente por uma empresa ou serviço que precisa fazer grande quantidade de contatos.

Por isso, caso a Claro utilize análise comportamental semelhante à da Vivo, a qualidade dos critérios de classificação e dos mecanismos para contestar bloqueios será tão importante quanto a capacidade de identificar chamadas abusivas.

Claro permite desativar a proteção

Por enquanto, a principal informação confirmada pela Claro é que o recurso será gratuito, aplicado na rede e destinado à redução de chamadas abusivas e indesejadas. A empresa também informa que o cliente poderá desativá-lo.

O SMS enviado pela operadora inclui um link específico para realizar o cancelamento.

A Claro ainda não esclareceu, na comunicação analisada, quais padrões serão utilizados para identificar uma chamada abusiva, se haverá uma lista de restrição semelhante à da Vivo, como funcionará a contestação de bloqueios ou quais mecanismos serão usados para proteger chamadas legítimas.

Esses detalhes serão importantes para entender o alcance real da novidade. A experiência da Vivo mostra que bloquear chamadas diretamente na rede pode ser mais eficiente contra robocalls e ligações abusivas, mas também exige critérios capazes de distinguir tráfego indesejado de comunicações legítimas.

Por enquanto, portanto, o que a Claro confirma é a ativação de uma camada gratuita de proteção contra chamadas abusivas. A forma exata como essa proteção identificará e bloqueará as ligações ainda depende de informações técnicas adicionais da operadora.

Fonte: Claro (via SMS)

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Redação

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