O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (23) que documentos oficiais do governo americano passarão a usar o termo “superinteligência” (ou “SI”) em vez de “inteligência artificial”. A declaração foi feita durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que durou cerca de 37 minutos — mais que o dobro do tempo previsto de 15 minutos.
Segundo Trump, a palavra “artificial” faz a tecnologia soar falsa. “O uso da palavra artificial faz a inteligência parecer falsa. E não é falsa. É, na verdade, incrível. Mas temos que ter cuidado”, afirmou. O presidente disse ainda que espera que o resto do mundo adote a mesma nomenclatura: “De agora em diante, todos os documentos dos Estados Unidos, e espero que do mundo, serão alterados para usar o termo muito mais preciso ‘super’ em vez de ‘artificial'”.
A mudança para ‘superinteligência’ é a terceira renomeação do tipo promovida por Trump em pronunciamentos recentes, após ter rebatizado o Golfo do México como “Golfo da América” e sugerido a alcunha “Lago da América” para o Lago Ontário. No caso da IA, ele chegou a brincar sobre seu próprio poder de influência: “Vamos ver se tenho algum poder. Talvez eu tenha, talvez não. Vamos descobrir em breve”.
O termo “superinteligência” já existe no jargão técnico: designa a chamada artificial superintelligence (ASI), um estágio teórico acima da inteligência artificial geral (AGI) e da IA atual, no qual um sistema superaria a capacidade cognitiva humana em praticamente todas as áreas. Nenhuma empresa do setor afirma ter alcançado esse nível até hoje — o que torna a adoção oficial do termo uma decisão de comunicação, e não o reconhecimento de um avanço tecnológico concreto.
Rejeição a regras globais
No mesmo discurso, Trump reafirmou a oposição dos EUA a tentativas internacionais de regular a inteligência artificial. “Os Estados Unidos também rejeitam totalmente qualquer tentativa de construir um esquema globalista para controlar a inteligência artificial”, declarou, sem detalhar quais mecanismos de governança global estaria rejeitando.
Apesar da retórica contrária a restrições, o presidente afirmou que o Departamento de Justiça e outras agências de aplicação da lei americanas vão monitorar o setor. “Temos um Departamento de Justiça que já usamos em relação a esse mesmo assunto, e usamos com muita força. Tudo funcionou muito bem e muito rapidamente. Vamos encorajar a superinteligência, não contê-la. Vamos observá-la de perto através do Departamento de Justiça”, disse.
A fala mistura duas mensagens distintas: de um lado, a promessa de não criar novas regras; de outro, a sinalização de que o governo pode intervir por meio do Judiciário e de órgãos de fiscalização caso considere necessário. Não ficou claro no discurso quais critérios ou situações justificariam essa atuação.
A decisão de renomear a tecnologia não altera, por si só, a política de IA dos Estados Unidos nem as regras que empresas do setor precisam seguir. O efeito prático mais imediato é burocrático: documentos e comunicações oficiais do governo americano devem adotar “superinteligência” ou “SI” como termo padrão.
Contexto do discurso
A 81ª Assembleia Geral da ONU começou nesta terça-feira. Trump discursou após o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Além da IA, o presidente americano abordou outros temas ao longo dos 37 minutos de fala.
A menção à liderança americana no setor foi repetida várias vezes. “Os Estados Unidos lideram o mundo em superinteligência e continuarão a liderar, de forma segura e responsável”, afirmou. Ele também disse que o país está à frente da China “por muito” nessa área, sem apresentar dados que sustentem a comparação.
A adoção do novo termo em documentos oficiais dos EUA deve ocorrer nos próximos meses, mas a disseminação para além do governo americano é incerta. No meio técnico e acadêmico, “superinteligência” tem significado específico e não descreve os sistemas atualmente em uso — o que pode gerar confusão se a expressão passar a ser aplicada a tecnologias que ainda estão muito distantes desse estágio teórico.
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