Mais de 40 organizações assinaram uma carta aberta endereçada aos executivos do Google. O documento, datado de 24 de fevereiro de 2026, expressa forte oposição à política da empresa que exige o registro centralizado de todos os desenvolvedores de aplicativos Android. Segundo o grupo, a exigência cria um modelo de segurança que afeta a natureza aberta do sistema operacional.
A medida afetará os criadores de software que distribuem seus aplicativos fora da Google Play Store, como em sites próprios ou lojas de terceiros. A regra exige concordância com os termos da empresa, pagamento de uma taxa e o envio de um documento de identidade emitido pelo governo.
O navegador Brave, que assinou o documento junto com a Electronic Frontier Foundation (EFF) e o Tor Project, publicou uma declaração no dia 6 de março de 2026. Conforme divulgado nas redes sociais da empresa, a exigência cria um risco de privacidade e consolida um ecossistema de vigilância. A marca defende que um único banco de dados corporativo conterá informações sobre todas as pessoas que programam para a plataforma.
Destaques da notícia
- O Google exigirá registro centralizado para desenvolvedores Android.
- A regra inclui o pagamento de taxas e o envio de documentos oficiais.
- Aplicativos distribuídos fora da Play Store também serão afetados.
- Mais de 40 entidades assinaram um protesto formal contra a medida.
Falando das especificações de segurança atuais, a plataforma Android já possui sandboxing de aplicativos e sistemas de permissões no nível do sistema operacional. Sendo portanto um conjunto que tende a entregar proteção sem a necessidade de um registro central. A carta aberta (que pode ser lida em inglês aqui) argumenta que a plataforma sempre foi caracterizada por permitir operações independentes dos serviços do Google. A exigência de verificação obrigatória transforma a empresa em uma controladora de canais de distribuição onde não possui papel operacional.
Outro ponto que merece atenção é o impacto na inovação e na criação de barreiras. O documento lista que os novos custos e burocracias prejudicarão desenvolvedores com recursos limitados. Além disso, projetos mantidos por voluntários também enfrentarão atritos. Organizações de resposta a emergências, que exigem implementação rápida, sofrerão com o mesmo problema.
Vale observar que a coleta de dados é uma preocupação central. Segundo a carta, o registro cria questões sobre como as informações pessoais serão armazenadas e utilizadas. A marca Brave aponta que o cenário pode afastar os criadores de aplicativos focados em privacidade. A empresa também relembrou o histórico do Google com projetos como a descontinuação do Manifest V2 e o Privacy Sandbox.
Não menos importante, as entidades apontam o risco de encerramento arbitrário de contas. O novo sistema permite que a corporação desative qualquer aplicativo em todo o ecossistema Android. As organizações alertam para decisões baseadas em sistemas automatizados com supervisão humana insuficiente. Os desenvolvedores correm o risco de perder a capacidade de distribuir aplicativos em todos os canais devido a uma única decisão corporativa.
Quem pode ser prejudicado pelas mudanças no Android?
Segundo o documento oficial, a nova política de registro afetará diversas categorias de desenvolvedores no ecossistema Android:
- desenvolvedores individuais.
- equipes pequenas com recursos limitados.
- projetos de código aberto mantidos por voluntários.
- aplicativos governamentais e empresariais de uso interno.
- pesquisadores desenvolvendo aplicativos experimentais.
Fonte: Brave
